sábado, 1 de novembro de 2008


não tô nada bem hoje

Espelho embaçado A menina está no espelho e se olha, mas não gosta do que vê. Queria ser outra. A moça da revista. Não exatamente aquela, mas uma que não existe. Existe nela mesma, na verdade. Mas é outra.As mãos no rosto são um pouco de desespero.De querer arrancar algumas coisas e entender onde foi o que já esteve lá. Não tanto do reflexo. Do reflexo a menina gosta. Mas do que está dentro dele.É o que há dentro do espelho que incomoda. Incomoda, não. Perturba, angustia, inquieta. Por quê, ela pergunta? Por quê?Por que, de repente, essa solidão blindada, esse vazio silencioso, esse frio? Ela é MENINA, não entende.No chão o lápis de olho, o batom. Mas não para se pintar, porque isso ela só faz quando há palco. Para escrever no espelho. Para tentar pintar a vida. Para rabiscar o que ela não decifra mais em si, nos outros, em Deus. A escova e o pente são para rasgar a pele e empurrar os nervos de volta pra dentro.

e chora.

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